quinta-feira, 19 de março de 2009

Esse Depoimento é de uma mamãe linda e guerreira, a Alice,que está na reta final de ganhar o seu tão esperado, desejado e já muito amado Dani

E de repente, lá está ela, com um teste de farmácia mostrando um sinal em forma de cruz tão forte que confirma uma suspeita que, por dias, a deixou sem chão: ela está mesmo grávida.
E agora? O que fazer? Como contar para a família? Como contar aos amigos? E o principal? Como contar ao pai do bebê? Será que ele vai apoiá-la? Será que ficará feliz? Ou será que ele seria capaz de abandoná-la justo nesse momento? São tantas perguntas, tantas incertezas.
Nessa hora, até a mais incrédula das mulheres se lembra de Deus. Pede a Ele que a ajude a ter força e suportar o que está por vir.
Já se sentindo mais fortalecida, até pensa que na verdade tudo irá dar certo. Afinal, um bebê é sempre uma alegria! E vai contar ao pai do bebê que agora já não são mais dois.... e sim três.
Com um pouco de medo, mas com um certa esperança de que o parceiro também ficará feliz, ela lhe dá a notícia. A reação dele? Não poderia ser pior. O pedido do aborto é o menos ofensivo entre tantas coisas que ela escuta. Ali, em frente a ele, ela chora, se humilha, implora para que ele lhe dê uma chance, para que pense na criança e na família que estão prestes a formar. Mas ele está irredutível. Na verdade, ele está com tanta raiva dela que até parece que ela lhe fez algo de muito ruim.
Arrasada, ela volta para a casa e por dias não dorme e não come, só consegue chorar, chorar e chorar. Não tem forças para mais nada.
Deitada sob o escuro do quarto, ela pensa em tudo. A princípio, considera a idéia do aborto. Mas seus valores morais e éticos não a permitem praticar tal ato. Na verdade, ela já ama aquela sementinha que está ali.
Depois disso, pensa em como seria melhor se algo acontecesse e ela perdesse a vida. Afinal, como ela pode prosseguir agora?
Imagina até, durante o banho, enquanto a espuma está sob sua barriga, se não seria melhor se Deus levasse aquela vidinha se formando ainda, pois ela ainda é muito nova, não será uma boa mãe, não poderá oferecer nada de bom ao filho que está chegando e terá sua vida inteiramente transformada.
Finalmente chega a hora mais terrível para ela: contar a família que está grávida. E mais: contar a família que não tem o menor apoio do pai do bebê.
A reação da família pode ser qualquer uma, mas uma coisa é a mesma: a decepção. Algumas famílias apoiam imediatamente, outras apoiam após passar o choque inicial e outras.... bem, infelizmente nem todas estão preparadas para isso.... acham mais fácil julgar e discriminar um membro da família, negar ajuda a essa pessoa quando não a negariam nem a um estranho na rua.
Mas a vida continua. Aquele serzinho ali dentro começa a crescer e isso requer certos cuidados. Agora há uma nova rotina cheia de consultas médicas, exames, ultrassons e doses de vitaminas.
Na primeira consulta ela tem ainda mais contato com a sua nova realidade. Sozinha, ela entra na sala de espera e busca um lugar vago para se sentar. Ali, no cantinho mais escondido que ela conseguiu encontrar, ela observa várias futuras mamães acompanhadas dos futuros papais. E ela ali, sozinha. Até mesmo a melhor amiga conseguiu arrumar a desculpa mais mirabolante para não acompanhá-la. Afinal, a melhor amiga não entende porque ela, que é tão inteligente e descolada, está numa situação dessas.
Após alguns instantes, que para ela parece uma eternidade, o nome dela é chamado pela enfermeira. Tremendo, achando que está prestes a desmaiar, ela entra no consultório médico. É examinada e pela primeira vez escuta o coraçãozinho do bebê. Que momento emocionante! Pequenas lágrimas tímidas rolam por sua face. Ela está sentindo uma felicidade tão grande que até se recrimina pelos pensamentos que teve antes.
O médico, seguindo a rotina da primeira consulta, convida aquela futura mamãe extasiada para sentar-se e responder algumas perguntas. As primeiras perguntas são respondidas com um sorriso enorme nos lábios. Ela lhe conta que ela e a família tem uma saúde perfeita, lhe diz a data da última menstruação e naquele exato momento fica sabendo qual o tempo de gestação e para quando deve esperar o bebê.
Ela se perde em sonhos e devaneios. Imagina como será a sua vida em poucos meses, após a chegada do bebê. Já quase nem se lembra dos momentos tristes que passou.
Mas, bruscamente, ela é retirada desse quase nirvana por uma frase para lá de inesperada recém-saída da boca do médico: “Agora vamos passar para o questionário do papai. Ele está na recepção?”.
É necessário que o médico repita novamente a pergunta, porque ela não consegue pronunciar uma única palavra. Tentando ser forte, ela responde que ele não pôde vir. O médico começa então a fazer as perguntas sobre ele, imaginando que ela mesma poderia responder. Infelizmente, ela não pode. E,com a voz abafada pelas lágrimas sufocadas, ela acaba confessando que ele “decidiu” não ser pai naquele momento. Ao ver o médico passar um risco, anulando o histórico do pai, ela não consegue mais segurar, e acaba derrubando as tais lágrimas até então sufocadas.
E esse é apenas o começo de tudo que ela ainda irá passar. Alguns dias serão de felicidade e outros de dor. Em alguns momentos ela estará certa de que foi tudo obra divina, em outros, irá questionar até a existência dEsse Ser Superior.
Mas uma coisa é certa: com o avanço da gravidez, com a alegria do primeiro ultrassom, do primeiro movimento do bebê, da primeira roupinha ganhada, da barriga começando a crescer, ela se renderá a esse momento único e sublime que é a gravidez.
A dor continuará a existir sim, mas menor. E vai diminuindo tanto com o passar dos dias que ela até passa a acreditar que um dia deixará de senti-la.
Sobre as dificuldades? Muitas ainda virão. E piores. Mas ela já não é mais a mesma garotinha fraca do início. Agora ela é uma mulher. E uma mulher forte e guerreira que conseguirá superar todas essas dificuldades com muita luta e determinação.
O preconceito da família,dos amigos e da sociedade em geral, que no inicio a abalava profundamente, depois de um tempo nem será notado por ela.
A necessidade da presença do pai do bebê vai diminuir tanto e ela perceberá como foi melhor ele ter se afastado mesmo, pois ele não é suficientemente digno de ter a honra de ser pai de um ser tão maravilhoso como o que ela carrega no seu ventre.
A vida, para ela, ganha um novo sentido, uma nova cor, um novo tema, até mesmo uma nova música. A incerteza da solidão acaba. Agora são dois corpos ocupando o mesmo espaço, contrariando até mesmo as leis das Física.
Ali, dentro dela, um milagre está acontecendo. E em muitos momentos, ela nem lembrará de que é uma mãe solteira, mas sim de que é apenas mãe.
Alice Lima – 23 anos –Newark – New Jersey – U.S.A.


Alice! Não tenho nem palavras para descrever tudo o que eu li, estou com lágrimas nos olhos! Na medida que ia lendo, parecia que eu via você lá com o médico e todos os seus medos! Pode ter certeza que você será uma mãezona, ou melhor você já é uma mãezona! Tenho certeza que o Dani já tem muito orgulho da mamãe dele, por isso que ele escolheu vir na sua barriga! Que Deus ilumine sempre seus passos e do seu anjinho que está prestes a chegar!
Beijocas
Tati

Depois que ele nascer, queremos muito que você venha contar para a gente como foi o parto e os primeiros dias do pequerrucho. Pois estamos todas na torcida por você e doidas para ver o rostinho do Dani
Beijocas
Tati e Cris

10 comentários:

Cristina Morais disse...

Alice,

Como sempre uma guerreira... Te admiro tanto. Os casos mesmo que ocorram em circustâncias diferentes são iguais afinal somos pães. Dani virá para sua vida soemnte para agregar coisas boas. Desejo a vocês toda felicidade do mundo.

Débora disse...

lindo texto minha querida! é triste ver como as histórias se repetem...mas é quando vejo mulheres tão fortes e guerreiras como você que me sinto muito orgulhosa de ser mulher. De fazer parte dessa classe tão batalhadora.
Você sabe o quanto a admiro, e desejo a você tudo de melhor nessa vida. Depois de tantas adversidades você merece ser feliz!
Um grande abraço pra você e pro Dani.

Fernanda disse...

Com este texto vc nos transporta ao mundo das emoções, das dores e das delícias da maternidade.

Quer saber? Vc foi escolhida a dedo, o Dani não poderia ter uma mãe melhor!

Isso aí já é um prefácio, viu? Beijos!

disse...

Nossa,eu entrei no google procurando depoimentos de maes solteiras e encontrei o blog. Quando comecei a ler a sua historia imediantamente me identifiquei. Estou gravida de 5 meses e ate agora tudo que vc descreve eu tambem passei, exatamente igual ate quanto as coisas que pensei. Nao tem sido facil e por isso estou tentando compartilhar a minha historia com pessoas que ja viveram algo parecido. Parabens por sua garra!
Renata

julia disse...

nossa não sei se tenho forças para criar meu bebe sozinha..pois a minha historia foi assim..tenho 21 anos e a uns 9 meses ficava com um rapaz cujo ja tem dois filhos e ja foi casado 3 vezes...quando descobrir que ele era casado decide nao ficar mais com ele,porem ja estava gravida e nao sabia..agora estou com 5 meses e ele diz que nao é dele...não sei mais o que faço..moro com minha irma,ela e minha familia me ajuda em tudo,ganho um salario minino nao sei o que faço, me ajudem.amo o pai do meu filho.e ele so vai assumir o papel de pai quando fizer o DNA.mas n vai assumir o papel que agt sabe que quando um homem tem outra familia nao liga para o filho fora do casamento.so vai arca com o dinheiro..nao sei como vou educar sem um pai

jaque disse...

alice ,sua historia realmente serve de liçao para todos nos mae solteiras.parecia que eu estava me vendo la no seu lugar por estou passando pelo mesmo processo que vc.parabens para todas que superam!!!

Lua disse...

OLÁ, ESTOU DE 05 MESES E FUI ABANDONADA A PARTIR DO 3º MES , ESTOU SOFRENDO D+, O DESPREZO A SOLIDÃO E A CARENCIA PEÇO A CADA SEGUNDO QUE DEUS ME PROTEJA POIS NÃO ESTOU SUPERANDO MAIS NADA ...MEU FILHO É UM MENINO , O PAI SEPARADO E TEM 03 FILHAS ...AGORA ELE VOLTOU PARA A ESPOSA E ME ABANDONOU NO MOMENTO DE MAIS NECESSIDADE ...EM FIM SO DEUS ...ELE UNICO EM MINHA VIDA

Nina disse...

oi Alice,adorei seu depoimento,o pai da minha filha também me abandonou quando eu estava com 2 meses de gravidez;estava procurando na internet sobre outras mães solteiras assim como eu e encontrei seu depo!Hoje já estou com 7 meses e o nome da minha menina é Alice.que coincidencia neh!bjus e força Deus vai te sei ajudar assim como tem me ajudado!

Monalisa Silva disse...

Alice sua historia , esta muito parecida com a minha... e o pior ele diz o tempo inteiro que não me ama que ama outra... esta sendo muito doloroso pra mim.. mas graças Deus, minha familia esta me apoiando... beijus...

rsp disse...

Parabens Alice ... Eu tambem tive os mesmos pensamentos que voce ... Nossa como me doia qdo ia em consultas ps e via todas as mamaes do lado dos papais ... Me sentia inferior e qdo me perguntavam do pai do bb entao?! Nossa!!! Porem hj ja estou de 8 meses e nao vejo a hora de ver o rostinho do meu bebe que eh e sempre sera um abencoado ... Bjuusss